Educação e cultura movimentam Vila de Abrantes na celebração dos 268 anos de Camaçari
Antes mesmo de o desfile avançar pelas ruas, Vila de Abrantes já anunciava que aquela seria uma tarde diferente. Aos poucos, o movimento tomou conta do percurso, os sons das bandas começaram a ecoar e a comunidade se aproximou para acompanhar uma celebração que colocou no mesmo caminho educação, cultura, tradição e pertencimento. Foi assim que a localidade recebeu, neste domingo (13), mais uma etapa das comemorações pelos 268 anos de emancipação política de Camaçari.
O prefeito Luiz Caetano reforçou o sentimento de pertencimento evocado pela celebração. “A história de Camaçari é construída em cada território e por cada pessoa que vive aqui. Celebrar o aniversário da cidade em Vila de Abrantes é reconhecer essa força e valorizar a nossa gente”, afirmou.
Realizado pela Prefeitura de Camaçari, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), o desfile integra a programação especial pelo aniversário do município, cuja data magna é celebrada no dia 28 de setembro. A iniciativa leva a comemoração para diferentes comunidades e transforma as ruas em espaços de encontro, onde as novas gerações ajudam a contar a história da cidade por meio da música, da educação e das manifestações culturais.
Em Vila de Abrantes, a diversidade foi um dos elementos que deram identidade ao cortejo. A titular da Secretaria de Cultura (Secult), Elci Freitas, realçou a emoção que cada apresentação carrega parte da memória coletiva do município. “Quando a cultura ocupa as ruas, ela aproxima gerações e fortalece a identidade de cada comunidade. Hoje, Vila de Abrantes mostra que preservar nossas raízes também é construir o futuro”, pontuou.
O primeiro destaque veio das unidades de ensino. A Creche Comunitária Esperança da Estiva, o Centro Integrado de Educação Infantil (CIEI) Areias, as escolas municipais Açu da Capivara, Fonte da Caixa e Professora Lídia Coelho Pinto, o Colégio Estadual de Tempo Integral de Vila de Abrantes e o Centro Educacional Marquês de Abrantes levaram estudantes e educadores para uma experiência que ultrapassou os limites da sala de aula, evidenciando a agricultura e pesca, a cultura indígena e ancestralidade que compõem as origens da cidade.
Entre os alunos do CIEI Areias, Júlia Santana, 13 anos, ressaltou que o desfile representa uma oportunidade de transformar o aprendizado em vivência. “Aqui a gente mostra com arte o que apresentemos na escola, o que sabemos de Camaçari. É uma experiência que gosto muito”, compartilhou.
A passagem dos estudantes também despertou o olhar atento de visitantes que acompanhavam o cortejo, como a soteropolitana Mari Andrade, 59 anos. “É emocionante ver a participação das pessoas. Eu não sou de Camaçari, mas tenho parentes aqui em Abrantes e torço por essa cidade. Esse é o segundo ano que venho acompanhar e está cada vez mais bonito e organizado”, opinou.
E se as escolas deram ao desfile o entusiasmo da juventude, as bandas acrescentaram o ritmo que conduziu o público ao longo do percurso com a energia da Filarmônica 28 de Setembro, das bandas marciais Joana Angélica (Bamaja), do Centro de Educação Municipal de Camaçari (Bamcemc) e Art’Vila, das fanfarras Municipal Popular de Abrantes (Fampa), Estudantil de Camaçari (Fanesc) e Estudantil de Parafuso (Fanesp), da Banda Municipal de Camaçari (Bamuca) e da Charanga Big Band.
Há um mês integrando a Fampa, considerada a princesinha de Abrantes, Júlia Rebeca Pinto, 16 anos, falou sobre a emoção de desfilar junto com a fanfarra criada em 2012. “Tem um mês que entrei na Fampa e foi a melhor decisão. Para tornar essa experiência ainda mais especial, nada melhor que estrear aqui nesse desfile que homenageia a nossa cidade”, endossou.
Na parte final do percurso, a cultura ganhou ainda mais espaço. Capoeira, dança, música e expressões tradicionais tomaram conta das ruas. E entre os grupos culturais, teve quem estava estreando no percurso, como é o caso de Dandara Rodrigues Costa, 15 anos, que integra o Grupo Afro Yamani do Instituto Social Joana d’Arc, em Areias.
“Entrei no grupo semana passada e já estou aqui hoje celebrando a diversidade da minha cidade. Eu amo Camaçari e desfilar aqui é uma grande alegria”, contou a jovem.
A lista de manifestações culturais ainda contou com o brilhantismo dos grupos Capoeira Frutos da Gameleira, Capoeira Libertação e Arte, Capoeira Engenho, Dança Afro Raízes Ancestrais, Som do Timbal, além de performances artísticas de alunos do Centro Cultural Vila de Abrantes.
Para que a celebração acontecesse com tranquilidade, foi preparada uma estrutura voltada o conforto e à segurança de estudantes, participantes e espectadores. Ações de zeladoria urbana também foram realizadas previamente através da Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), contribuindo para a organização e preparação das localidades que recebem os desfiles.
A realização da programação conta com atuação integrada de diferentes setores da administração municipal. Além da Seduc, Secult e Sesp, participam do trabalho as secretarias de Saúde (Sesau) e de Governo (Segov), esta última, através da Coordenação de Eventos, a Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STT), a Defesa Civil e outros órgãos municipais. Também participaram representantes da Polícia Militar.
Como é tradicional, o calendário de apresentações em celebração aos 268 anos de emancipação política de Camaçari será encerrado na data magna, 28 de setembro, na Avenida 28 de Setembro (antiga Radial A), no Centro da cidade.
Fotos: P10, Patrick Abreu e Juliano Sarraf


