Camaçari mobiliza forças em debate pelo fim da violência contra a mulher
Audiência Pública na Câmara Municipal reúne autoridades, forças de segurança e vítimas para traçar estratégias de proteção e cobrar efetividade nas políticas públicas
O plenário da Câmara Municipal de Camaçari tornou-se, na tarde desta segunda-feira (13/04), um espaço de resistência e acolhimento. Por iniciativa da Comissão de Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher, o Legislativo promoveu uma Audiência Pública marcada por relatos contundentes e a urgência de fortalecer a rede de proteção feminina no município.
Presidida pela vereadora Sales de Brito (PSD), a mesa de honra contou com a presença dos vereadores Neidinha (PT), Luisão (Cidadania) e Tagner Cerqueira (PT), além da participação solidária da vereadora Juliana Cristina, de Santo Amaro. Com uma plateia majoritariamente feminina, o tom da sessão foi de escuta ativa e busca por soluções práticas.
A voz da sobrevivência
O momento de maior impacto emocional ocorreu com o depoimento de Hana Assis. Sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, ela detalhou o penoso percurso até a conquista da medida protetiva. Hoje, Hana é a primeira mulher em Camaçari a utilizar o "Botão do Pânico", dispositivo que aciona imediatamente a central de polícia e monitora o agressor via tornozeleira eletrônica. "Hoje sou protegida pela Lei Maria da Penha", afirmou, personificando a importância da tecnologia aliada à justiça.
Gestão e Desafios
A Secretária da Mulher, Branca Patrícia, apresentou um balanço da pasta, relembrando o cenário de desassistência encontrado no início da gestão. Segundo a secretária, a reestruturação de equipamentos como o CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) e o NAM (Núcleo de Atendimento à Mulher) foi fundamental para garantir que nenhuma vítima ficasse sem amparo. Ela também destacou o "Selo Camaçari Mulher", iniciativa que visa incentivar a equidade de gênero no mercado de trabalho local.
A Major PM Jeane Nascimento, primeira mulher a comandar a 59ª CIPM em Vila de Abrantes, trouxe a frieza dos números para o debate, humanizando-os logo em seguida: os 509 novos casos registrados em 2025 não são apenas estatísticas, mas "509 histórias de dor que exigem ação". A segurança pública também foi representada pela Sargento Carmem Lúcia e pela Subtenente Edna Souza, da Ronda Maria da Penha, que reforçaram que a violência doméstica atravessa todas as classes sociais.
Cobranças e Representatividade
A política como ferramenta de transformação foi o eixo da fala da vereadora Juliana Cristina, que defendeu a efetividade das leis já existentes. No campo das demandas institucionais, Ellen Borges, representando a deputada federal Ivoneide Caetano, defendeu a criação de uma Procuradoria da Mulher dentro da própria Câmara, visando coibir abusos inclusive no ambiente parlamentar.
A audiência também abriu espaço para depoimentos sensíveis do público, como o da Sra. Silva, que relatou as marcas da violência obstétrica em uma fala que uniu as pautas de raça e deficiência.
Compromisso Coletivo
Ao final, o vereador Luisão propôs um minuto de silêncio em memória das vítimas, encerrando com uma prece por conforto e justiça. Já a vereadora Neidinha celebrou as recentes leis federais que ampliam a proteção às mulheres indígenas, destacando que o combate ao feminicídio exige o envolvimento direto dos homens no debate, uma vez que são os principais autores das agressões.
A sessão foi encerrada pela vereadora Sales de Brito com o compromisso de que as discussões ali travadas se transformem em projetos de lei e ações concretas, garantindo que a voz das mulheres de Camaçari continue ecoando com força e segurança.

